Há lugares que não desaparecem quando os comboios deixam de passar, reinventam-se. A antiga estação ferroviária de Coimbra-A é um desses lugares.
Encerrada à circulação em janeiro de 2025, entra agora numa nova etapa, com a sua passagem para a gestão do Município de Coimbra, marcando o início de um projeto que promete devolver à cidade um espaço cheio de futuro.
Foi precisamente ali, entre memórias de partidas e reencontros, que se assinou o protocolo de subconcessão. A cerimónia reuniu o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, Carlos Fernandes, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, num momento que simboliza a transição de uma infraestrutura ferroviária para um novo polo urbano.
Durante cerca de 140 anos, a então Estação Nova fez parte do quotidiano da cidade. Situada no coração urbano, foi uma das duas portas ferroviárias de Coimbra. Com o seu encerramento a 12 de janeiro de 2025, no âmbito da transformação do antigo ramal no canal do Sistema de Mobilidade do Mondego, ficou Coimbra-B como a única estação ferroviária da cidade, integrada na Linha do Norte.
O fecho de uma estação não acontece de um dia para o outro. Nos bastidores, seguiu-se um processo exigente: a desocupação do edifício de passageiros, concluída em março, e a relocalização das equipas para o Arnado e Alfarelos. Uma operação coordenada pela IP Património, que envolveu várias áreas da empresa e garantiu, em permanência, a continuidade da atividade. No Arnado, os espaços foram adaptados para acolher as novas equipas e assegurar condições de trabalho adequadas a esta transição.
Entretanto, o edifício foi permanecendo vivo. Nos últimos meses, abriu-se novamente à cidade através de uma exposição dedicada ao Sistema de Mobilidade do Mondego e ao futuro da Alta Velocidade, como que antecipando o papel que agora está prestes a assumir.
Com a subconcessão agora formalizada, o Município de Coimbra passa a liderar a transformação da antiga Estação Nova num espaço multifuncional. O objetivo é claro: dar nova vida a um edifício histórico, convertendo-o num polo de inovação, cultura e atividade económica, enquanto se reforça a ligação à Baixa e à frente ribeirinha.
Porque, se durante décadas este foi um lugar de passagem, começa agora a afirmar-se como um lugar de encontro entre a memória e o futuro da cidade.