“A atuação da IP está centrada na segurança das infraestruturas e dos utilizadores"

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Em entrevista à Antena 1, o presidente da Infraestruturas de Portugal, Miguel Cruz, aborda temas como o impacto das tempestades, a necessidade de se cumprir o calendário do PRR e a importância da segurança dos utilizadores das infraestruturas rodoferroviárias.

Os investimentos previstos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) serão cumpridos, apesar dos atrasos registados na sequência das recentes intempéries que afetaram o território nacional.

Esta é a garantia deixada pelo presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Miguel Cruz, em entrevista à Antena 1. O responsável reconhece que o impacto nos prazos “já aconteceu”, explicando que várias obras rodoviárias e ferroviárias “foram interrompidas devido à falta de condições para trabalhar” e à necessidade de mobilizar empreiteiros para intervenções de emergência.

“Em alguns casos, os troços em obra ficaram completamente alagados”, referiu, destacando como exemplo a variante a Beringel, integrada no IP8, onde os trabalhos sofreram atrasos. Ainda assim, “a IP está empenhada em recuperar o tempo perdido e cumprir os objetivos definidos no PRR”, garantiu.

Atualmente, mantêm-se em curso trabalhos de reparação em 34 estradas nacionais e duas linhas ferroviárias. Apesar da pressão sobre os recursos, “a IP não identifica, para já, constrangimentos ao nível da disponibilidade de empreiteiros, embora admita que a evolução da situação será acompanhada ao longo do ano”, explica o dirigente.

Segurança, custos e ferrovia

No plano da segurança, Miguel Cruz anunciou a realização de cerca de 1300 inspeções extraordinárias a pontes, viadutos e túneis, infraestruturas que totalizam cerca de 8200 ativos sob gestão da empresa. Estas ações incluem 75 inspeções subaquáticas e estão a ser desenvolvidas em articulação com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Segundo o presidente da IP, “não foram identificadas, até à data, situações particularmente críticas”, sendo toda a informação recolhida partilhada com o LNEC, no âmbito deste processo de avaliação.

Relativamente aos custos associados aos danos provocados pelas tempestades, a estimativa inicial aponta para cerca de 400 milhões de euros, valor que poderá ainda evoluir. “Não é certo que se vá ultrapassar este valor”, referiu, sublinhando que se trata de um processo em atualização.

No que diz respeito à Linha do Oeste, o presidente da IP rejeitou a existência de contradições entre a empresa e o Governo quanto aos prazos de intervenção. Miguel Cruz explicou que “a estimativa de nove meses para a reconstrução da linha foi definida com base nas avaliações técnicas disponíveis e mantém-se como referência para o restabelecimento integral da circulação”. Apesar disso, já foi possível reabrir parcialmente o troço a norte das Caldas da Rainha, com a reposição de ligações ferroviárias a Coimbra. O troço entre Mira-Sintra/Meleças e Caldas da Rainha permanece encerrado, sendo que a sua reabertura “dependerá da conclusão dos estudos em curso, numa zona onde foram identificados cerca de 20 pontos com instabilidade de taludes”.

Para a Linha da Beira Baixa, “mantém-se a previsão de reabertura no prazo de seis meses”, afirmou o presidente da IP. Segundo Miguel Cruz, “a atuação da IP está centrada na segurança das infraestruturas e dos utilizadores”, bem como na “concretização dos investimentos estruturantes essenciais para a mobilidade e coesão territorial do país”.

Veja e oiça a entrevista na íntegra no site da Antena 1/RTP.