De Campanhã a São Bento

2018-04-23
(...) O comboio, chegado a São Bento, parecia deixar os pulmões na linha; um fumo branco como espuma inundava o cais; das portinholas saía de roldão uma gente apressada e que, de repente, rompia os laços de viajante e mergulhava na cidade com as suas malas e os embrulhos, pronta a começar o dia urbano, a apanhar táxi, a reconhecer a família que lhe estende os braços. (Agustina Bessa Luís, As Estações da Vida)
 
Tal como em anos anteriores, a Infraestruturas de Portugal (IP) associou-se às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (DIMS), criado pelo ICOMOS-Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, a 18 de abril de 1982, e que desta feita decorreu sob o lema “Património Cultural: de geração para geração”.
 
O programa contemplou uma visita guiada às duas principais estações ferroviárias do Porto. 
Partiu-se de Campanhã, recordou-se outros tempos e costumes, a época da construção das linhas do Norte, Minho e Douro, o desenvolvimento proporcionado pela ferrovia, o vapor, o diesel e as modernas composições e linhas eletrificadas, a influência do caminho-de-ferro na demografia e no território.
 
Chegados à Estação de São Bento foi tempo de falar e recordar o Arquiteto José Marques da Silva, o projeto influenciado pelos seus estudos e formação francesa, a modernidade que trouxe ao centro histórico do Porto e o contributo que deu para as mudanças da própria cidade, sem esquecer uma referência aos soberbos painéis de azulejos de Jorge Colaço que, como Agustina Bessa Luís refere, "contam toda uma poesia".
 
A visita – organizada pela Infraestruturas de Portugal, Fundação Marques da Silva e CP – foi conduzida por Domingos Tavares (FIMS), Paula Azevedo e Fernando Pereira (IP), Ana Sousa e Luís Lopes (CP).
 
Fotos/Créditos: FIMS